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quinta-feira, 10 de março de 2016

Jovens do Ensino Médio com mais tempo para aprender

Com o aumento da carga horária ou a oferta de oficinas extras, a permanência na escola ajuda no combate à evasão

Aurélio Amaral
Alunos do Colégio Amazonense participam de oficinas de xadrez no contraturno. Foto: Fábio Nutti

ATIVIDADES ELETIVAS Alunos do Colégio Amazonense participam de oficinas de xadrez no contraturno.


Multirrepetência, desinteresse e necessidade de ingressar cedo no mercado de trabalho são fatores que fazem da evasão uma questão preocupante no Ensino Médio no Brasil. Segundo o Censo Escolar de 2005, realizado pelo Instituto Nacional dos Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 16% dos estudantes da rede pública que concluem o Ensino Fundamental não dão continuidade aos estudos. Dos que se matriculam no segmento seguinte, 18% abandonam a sala de aula, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2004. Apesar de o cenário ser desfavorável, algumas instituições conseguem se destacar por ter uma taxa de evasão igual a zero e conseguir bons índices de aprovação nos vestibulares. Em comum, elas investem em infraestrutura e no planejamento para que os estudantes fiquem mais tempo na escola. 


O Ginásio Pernambucano, em Recife, é uma delas. Reinaugurado em 2004, ele funciona em tempo integral, com a carga horária de quase dez horas diárias (de 7h30 às 17h00). Essa foi uma das medidas instituídas pelo Programa de Desenvolvimento dos Centros de Ensino Experimental (Procentro) - iniciativa de empresários em parceria com a Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco -, do qual a escola foi pioneira. O casarão, construído em 1825, foi restaurado, e a gestão, reestruturada. A instituição, que passou a se dedicar exclusivamente ao Ensino Médio, adotou um currículo variado, composto por 25% de disciplinas optativas, que se intercalam com as regulares. Entre as opções estão Protagonismo Juvenil, em que são desenvolvidas atividades de empreendedorismo; Projeto de Vida, dedicado ao planejamento de metas pessoais e profissionais; e oficinas interdisciplinares, como Cinema e Culinária. 



A escola também quer preparar os alunos que pretendem continuar a estudar. Para eles, são oferecidos tempos de reforço e no 3º ano são preparados simulados de provas para o ingresso no Ensino Superior. Com essa fórmula, além de zerar a evasão, o Ginásio conseguiu, em seis anos, alcançar a taxa de 67% de aprovação em vestibulares. "Também têm sucesso os jovens que preferem ingressar no mercado de trabalho ou abrir o próprio negócio", afirma Neuza Pontes, diretora do Ginásio Pernambucano.

Cursos profissionalizantes também são atrativos para os jovens
Culinária é uma das disciplinas que compõem o currículo  diversificado do Ginásio Pernambucano. Foto: Daniela Neder
HORÁRIO INTEGRAL Culinária é uma das disciplinas que compõem o currículo diversificado do Ginásio Pernambucano

Outra maneira de promover a permanência na escola é disponibilizar cursos profissionalizantes completos para envolver mais os estudantes no processo de aprendizagem. Foi esse um dos focos do Projeto Piloto de Ensino Médio da Secretaria de Educação do Estado do Amazonas, testado no tradicional Colégio Amazonense Dom Pedro II, inaugurado em 1886. A escola implantou, em 2007, um programa de cursos técnicos em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Estado do Amazonas (Cetam). Dessa forma, além do Ensino Médio regular, há 160 vagas para formação em contabilidade e em informática. 


Os alunos do Pedro II também têm à disposição oficinas especiais de dança e xadrez - para as quais são convidados os menos motivados. "É uma oportunidade de desenvolver habilidades diferentes das exigidas nas aulas regulares", explica Selene de Brito Marrocos, coordenadora das atividades extracurriculares. 



As aulas de reforço - oferecidas no sexto tempo, para evitar que o aluno tenha de sair e voltar para a escola - também garantem um bom índice de aprovação e de ingresso na universidade. A taxa de aprovação subiu de 72 para 92%, e a evasão, que chegava a 25%, hoje é zero. "Sem tanta repetência, os jovens se sentem mais envolvidos com a aprendizagem e demonstram vontade de seguir os estudos", diz Antônio Carlos Araújo, diretor do Pedro II. 



Esses modelos, que deram resultados em Recife e Manaus, não ficaram restritos a essas unidades. Em Pernambuco, o Programa Integral, que sucedeu o Procentro, está presente em 183 escolas do estado. Já o Projeto Piloto do Amazonas se espalhou por 19 instituições na capital e no interior e a proposta é de que, em oito anos, ele chegue às 217 escolas estaduais que atendem o segmento.

Quer saber mais?
CONTATOS 

Colégio Amazonense Dom Pedro II, tel. (92) 3234-8954 


Publicado em GESTAO ESCOLAR, Edição 016Outubro/Novembro 2011. Título original: Jovens com mais tempo para aprender

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