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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

CITOLOGIA: UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR PARA OS EDUCANDOS DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

CITOLOGIA: UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR PARA OS EDUCANDOS DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

REZENDE, Mary Carneiro[1]
RIBEIRO, Josiane[2]
SANTOS, Simone José Aparecida da Silva[3]


Resumo
Este trabalho é parte das atividades desenvolvidas nas disciplinas de Tópicos de Biologia e Produção de materiais didáticos do mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGECN/UFMT). Apresenta o resultado da aplicação do material didático, plano de aula e sequência de atividade, sobre o tema Citologia, desenvolvidas com educandos da 2ª fase do 2º ciclo do ensino fundamental de uma escola estadual, situada no município de Tangará da Serra - MT. Para desenvolvermos as atividades, nos apoiamos principalmente, nos estudos de Moreira (2009, 2011) sobre a aprendizagem significativa, sua fundamentação e implementação. Os resultados deste trabalho apontam que a maioria dos educandos construíram os principais conceitos abordados durante as aulas.
Palavras-chave: Aprendizagem Significativa, Citologia, Sistemas de medidas.
INTRODUÇÃO
Este trabalho é parte das atividades de mestrado, desenvolvidas nas disciplinas de Tópicos de Biologia e Produção de materiais didáticos no mestrado, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGECN/UFMT). Objetiva, de maneira geral, descrever o processo de ensino e aprendizagem a respeito da citologia na 2ª fase do 2º ciclo (5º ano) do ensino fundamental.
Inicialmente apresentaremos o processo de escolha do tema, público  atendido e teoria que fundamentou nosso trabalho. Discorreremos sobre os procedimentos metodológicos, apontando como se deu o processo de ensino e aprendizagem dos conceitos de Citologia, a partir da participação dos educandos nas atividades desenvolvidas. Por fim, registraremos algumas considerações tomando como base as impressões evidenciadas no decorrer do trabalho, relatos dos professores levantados através de entrevistas, algumas considerações sobre: o planejamento, a aplicação das atividades e os resultados obtidos.

Escolha do tema e público atendido

Antes de iniciarmos a disciplina de Tópicos de Biologia realizamos uma entrevista estruturada com professores Pedagogos e Biólogos de alguns municípios polo dos Centros de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica - CEFAPROs (Barra do Garças, Tangará da Serra, Cáceres, Juara, Confresa, Juína, Primavera do Leste, Matupá, Cuiabá e Sinop), com o objetivo de evidenciar temas difíceis e conflitantes no ensino de Ciências da Natureza, na visão dos entrevistados. Os temas mais evidenciados foram: Origem da Vida e Evolucionismo; Genética; Citologia; Práticas de laboratório (Botânica e Citologia); Sexualidade; Método Investigativo; Fotossíntese; Bioética; Fermentação e Classificação dos Seres Vivos.
O tópico “Citologia” foi escolhido devido a sua relevância. Consideramos importante a abordagem desde os primeiros anos do ensino fundamental, pois nesta fase os educandos já estão aptos a conhecerem esses conceitos, para que  possam ser compreendidos e assimilados de maneira significativa até o ensino médio. Além disso, é um conteúdo que perpassa outras áreas, como a Matemática, a Língua Portuguesa entre outras, possibilitando um trabalho interdisciplinar. Outro fator importante que contribuiu para a escolha do tema é a pouca discussão  nos anos iniciais do ensino fundamental.
Segundo os professores entrevistados, graduados em pedagogia, o conhecimento da área como a da Ciência da Natureza, por exemplo, é bastante superficial. Percebemos que o tema citologia é abordado de maneira pouco profunda e até mesmo equivocado. Nesse sentido, os professores que participaram da entrevista, relataram não terem muito conhecimento sobre o assunto e à falta de estrutura física adequada para práticas laboratoriais.
Um dos professores (P1) entrevistados, considera difícil abordar divisão celular, afirma ser um tema muito abstrato e de grande complexidade. Segundo ele a dificuldade é tanto do professor quanto do aluno: “O professor não tem uma boa base, é muito difícil ministrar aulas sobre, por sua vez, o aluno também não tem uma base forte”. Afirma ainda, que por se tratar de um conteúdo muito complexo, “torna-se difícil uma aprendizagem significativa, no entanto, com aulas práticas, vídeos, animações, confecção de modelos em 3D, à dificuldade é minimizada”.
A partir da análise dos dados escolhemos uma escola estadual no município de Tangará da Serra-MT e uma turma da 2ª fase do 2º ciclo, composta por 28 educandos com faixa etária, em média, 10 anos com pouca variabilidade, o que condiz com o esperado para esta fase, no currículo organizado por ciclos de formação humana.

Teoria que fundamentou nosso trabalho

Este trabalho trata da análise das contribuições da Teoria da Aprendizagem Significativa para o processo de ensino e aprendizagem de conceitos de Citologia e Sistemas de medidas, em particular a relação da célula na formação e desenvolvimento corporal.  A pesquisa envolveu o planejamento, aplicação e avaliação de uma sequência de atividades fundamentadas à luz da Teoria da Aprendizagem Significativa.
Para aplicarmos as atividades, nos apoiamos principalmente, nos estudos de Moreira (2009, 2011) sobre a aprendizagem significativa, sua fundamentação e implementação em sala de aula.


PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Primeiramente realizamos um diagnóstico sobre o que os educandos, da fase referendada, estudariam em ciências da natureza, depois planejamos uma sequência de atividades e em seguida apresentamos este planejamento para alguns professores pedagogos do município de Tangará da Serra – MT. Todos disseram que não haviam trabalhado o tema Citologia nos anos iniciais do ensino fundamental e a maioria relatou ter pouco conhecimento a respeito de Citologia. Após o dialogo com estes educadores, os mesmos perceberam que de modo ainda superficial, abordam este tema quando ensinam a respeito do desenvolvimento do corpo humano.
Na elaboração do planejamento, analisamos três livros didáticos da 2ª fase do 2º ciclo do ensino fundamental. O livro da coleção Projeto Buriti[4] da Editora Moderna, adotado pela professora regente da turma, aborda alguns conceitos de Citologia no tema Reprodução Humana, no tópico de fecundação, porém nenhum capítulo aborda o conceito célula, são apresentados alguns exemplos de células, como os espermatozoides, óvulo e zigoto e outros, como fecundação. O livro aborda as diferenças entre órgãos sexuais, feminino e masculino. Desta maneira, consideramos equivocada, a organização e abordagem destes conceitos na referida coleção, uma vez que, o educando não tem acesso, neste referencial adotado pela escola, aos conceitos primordiais, que servirão de ancoradouro para os demais conceitos de ciências no que se refere à formação e desenvolvimento do corpo humano.
A coleção Ápis[5], da Editora Ática, em relação ao tópico Citologia, aborda três capítulos sobre o corpo humano. Inicia com o tema “por dentro do corpo”, onde aparece o conceito célula e apresenta um mapa conceitual. O capítulo seguinte inicia apresentando estruturas microscópicas da pele e do sangue. O tema “como surge o ser humano”, que é o norteador das nossas discussões na sequência de atividades, é abordado no terceiro capítulo sobre o corpo humano, apresenta os órgãos reprodutores, do homem e da mulher, porém, percebemos que o conceito de fecundação não aparece. Apesar disso, consideramos uma coleção que apresenta os conceitos estruturantes e a abordagem dos conteúdos na perspectiva da aprendizagem significativa, pois os temas são sempre iniciados com questionamentos, estimulando os educandos a relatarem seus conhecimentos prévios, fator primordial para que ocorra a aprendizagem significativa. Também traz mapas conceituais como recurso didático, destacando os conceitos e suas inter-relações.
Os Mapas conceituais favorecem a aprendizagem dos conceitos. De acordo com Moreira (2010, p.11), mapas conceituais são “diagramas de significados, de relações significativas; de hierarquias conceituais”. 
Analisamos também a coleção Descobrindo o ambiente[6], da Editora Saraiva. Dentre as três coleções, esta, aborda o tópico Citologia de maneira mais apropriada para facilitar a construção e inter-relação entre os conceitos. Não encontramos erros conceituais. Aborda todos os conceitos necessários para a compreensão da formação e desenvolvimento corporal. A linguagem utilizada está adequada para a faixa etária.
Sendo assim, consideramos relevante para o processo de ensino e aprendizagem, que o conceito célula seja abordado em algum momento dos anos iniciais. Por isso, é importante que o professor utilize diversas fontes de pesquisa para o planejamento das aulas, visando assim, contribuir significativamente para o processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com Moreira (2011), para que ocorra a aprendizagem significativa, duas condições são essenciais, uma delas é que o material de aprendizagem seja potencialmente significativo, ou seja, tenha significado lógico. A outra condição para que ocorra a aprendizagem significativa, é o educando apresentar uma predisposição para aprender, ou seja, querer relacionar os novos conhecimentos com os conhecimentos prévios.
Quando percebermos que o educando não dispõe de conhecimentos prévios sobre o assunto abordado, é nosso papel facilitar, promover a sua construção antes de prosseguir. Nessa perspectiva, introduzimos as aulas com o conceito de célula, pois o consideramos essencial para a aprendizagem dos demais conceitos envolvidos na formação e desenvolvimento corporal.
Segundo Moreira (2011), devemos inicialmente mapear o conteúdo curricular, de maneira conceitual, identificando ideias mais gerais, inclusivas, os conceitos estruturantes, as proposições-chave do que vai ser ensinado.
Concordamos com Moreira, quando ele afirma que, “os conteúdos são listados em um programa que é seguido linearmente, sem idas e voltas, sem ênfases, e que deve ser cumprido como se tudo fosse importante [...] o resultado desse enfoque é geralmente, aprendizagem mecânica”. (MOREIRA, 2011, p.43-44)
Considerando todos os aspectos mencionados, elaboramos nosso plano de aula, no qual estabelecemos os seguintes conteúdos: Célula, Formação e Desenvolvimento corporal, Gráficos e tabelas e Sistema de medida. Com a pretensão de alcançarmos os seguintes objetivos: Conceituar Célula; Relacionar a célula como unidade responsável pela formação e desenvolvimento corporal; Entender o processo de formação e desenvolvimento do corpo humano; Dialogar a respeito do sistema de medida: comprimento; Representar graficamente o desenvolvimento corporal intrauterino. Para tanto, selecionamos os seguintes recursos e estratégias didáticas: Roda de conversa; Filmadora; Slides com imagens ampliadas de células/feto e embrião; Texto: Como é formado o nosso corpo?; Leitura deleite: A magia da vida; Vídeo: Era uma Vez a Vida: Função Reprodutora e o Nascimento; construção de Gráficos e tabelas. Para verificarmos se os objetivos propostos seriam alcançados organizamos algumas atividades a serem desenvolvidas no decorrer das aulas. Depois, produzimos uma sequência de atividades.
Para Zabala (1998, p.18), sequências de atividades são um “conjunto de atividades ordenadas, estruturadas e articuladas para a realização de certos objetivos educacionais, que têm um princípio e um fim, conhecidos tanto pelos professores como pelos alunos”. Ou seja, as sequências didáticas são formas de organização de trabalho pedagógico, com característica de sequencialidade, pois uma atividade está articulada a outra.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ressaltamos que este trabalho foi realizado com a participação de várias professoras, uma pedagoga, uma bióloga e uma matemática. Tanto no planejamento quanto nas aulas, o conteúdo foi abordado de modo interdisciplinar, por exemplo, unindo visões da Ciência da Natureza, Matemática e Linguagens. Assim, consideramos que a metodologia utilizada oportunizou a realização de um trabalho interdisciplinar e cooperativo entre as disciplinas citadas.
De acordo com Fourez (2002, p. 69-70), “o termo interdisciplinaridade evoca um espaço comum, um fator de coesão entre saberes diferentes [...] deve entender-se como a utilização, coordenação das disciplinas adequadas, numa abordagem integrada  dos problemas”.
O desenvolvimento do plano teve duração de três dias. No primeiro dia, solicitamos aos educandos que relatassem seus conhecimentos sobre célula. Para isso, organizamos uma roda de conversa para a realização desta atividade. Constatamos que a maioria dos educandos não conhecia a palavra e nem o significado de célula, como podemos verificar nos relatos dos Educandos (3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10): “Eu nunca ouvi essa palavra e não faço nem ideia do que significa.” Alguns já souberam falar como o corpo humano é formado, mas não conheciam o conceito de célula, isto foi evidenciado na fala dos Educandos1 e 2: “Nós somos formados a partir do encontro do espermatozoide do pai com o óvulo da mãe”.
Depois de ouvirmos todos falarem, percebemos que alguns já tinham noção do que é uma célula, citaram o óvulo e o espermatozoide, mas a grande maioria afirmou desconhecer o assunto. Sendo assim, conceituamos célula a partir da fala dos educandos e posteriormente apresentamos seu conceito científico. Desenvolvemos as aulas utilizando várias imagens ampliadas de células para despertarmos a curiosidade dos educandos, com o intuito de contribuirmos na construção dos conceitos e representações mentais sobre o tema. No entanto, reconhecemos a importância do laboratório para o ensino de ciências.
Perpassando por algumas carteiras, percebemos que alguns educandos haviam desenhado o óvulo e vários espermatozoides. Isso indica que estes, já tinham algumas representações mentais e conhecimentos prévios sobre o assunto.
Na sequência, realizamos uma atividade, com analogias, utilizando uma imagem de ovo de galinha, na qual evidenciamos que a gema do ovo (galado) é um zigoto.  
Para iniciarmos o conteúdo de formação e desenvolvimento corporal realizamos alguns questionamentos: Vocês sabem de onde os seres humanos vêm? Como somos formados? O que precisamos para crescer? Onde você se informou sobre o assunto? Em relação ao texto, “Como é formado nosso corpo”, o qual abordava vários conceitos de Citologia, solicitamos aos educandos que todas as palavras desconhecidas, fossem grifadas e, no encadeamento das aulas, pesquisadas com o uso do dicionário. Essa atividade permitiu aos educandos identificar e conhecer os principais conceitos envolvidos na reprodução humana.
Ainda no primeiro dia, assistimos ao vídeo[7]: Era uma vez a vida: A Função Reprodutora e o nascimento. Antecipamos aos educandos o conteúdo do vídeo. Informamos que, depois da exibição, eles fariam um registro das palavras que ainda não conheciam (além de promover à apropriação e a sistematização do conteúdo, serviria de fonte de consulta à medida que o estudo avançasse). Exploramos o referido vídeo por duas vezes, no primeiro momento sem fazer interrupções, logo em seguida, fazendo pequenas pausas para abordarmos tanto os conceitos relacionados ao ensino da biologia quanto da matemática.
Entregamos uma tabela intitulada “Registro do crescimento do bebê na barriga da mãe”. A qual era composta por três colunas: tempo (dia), tamanho (cm ou mm) e semanas (7dias). A coluna do tempo já estava preenchida, portanto, solicitamos que os educandos, enquanto assistissem ao vídeo, registrassem apenas informações do crescimento do bebê na barriga da mãe. Todos participaram da atividade, os mais adiantados auxiliando os que não haviam conseguido fazer as anotações. Neste momento, percebemos que um educando apresentou dificuldades na construção do conceito de números. Ao final da aula, em conversa com a professora regente, ela nos afirmou que já vem desenvolvendo atividades diferenciadas com este educando, com o intuito de contribuir na superação das suas dificuldades.
Em relação à matemática observamos, além da divisão ou multiplicação celular, a quantidade de espermatozoides envolvidos no processo. O locutor do vídeo evidencia que "centenas de milhões de espermatozoides partem ao ataque" e na sequência afirma que "apenas 1% atravessará a barreira do colo uterino", dialogamos com os educando sobre o quanto corresponderia este 1%. Na sequência, ao falar a respeito do crescimento do embrião, o mesmo faz menção ao tempo, utilizando dias e meses. Para melhor compreenderem o assunto, questionamentos a respeito de: “centenas de milhões” ”um mês tem quantas semanas”, “270 dias correspondem há quantas semanas” entre outras questões.
Em relação aos números ordinais mencionados no vídeo "vigésimo oitavo dia já é um embrião", “quadragésimo dia”, somente aproveitamos estas informações, para relembrar a respeito destes números, sua importância, quando os usamos no dia a dia, haja vista a professora já ter discutido este assunto anteriormente.
Quanto ao registro do tamanho do bebê anotado na tabela, questionamos sobre a diferença de milímetros e centímetros. Utilizamos uma régua para verificar o quanto representava cada tamanho registrado. No segundo dia confeccionamos um gráfico representando as informações retiradas do vídeo (tamanho em função do tempo). Os educandos escolheram o título do gráfico e colaram cópias de régua indicando o tamanho aproximado do bebê no decorrer de cada mês. Em relação à terceira coluna da tabela, a qual correspondia às semanas, utilizamos máquina de calcular ou a calculadora do celular, para transformar os dias, evidenciados na primeira coluna, em semanas do período gestacional.
Em relação ao ensino de Ciências, observamos que, assim como o texto, o vídeo também abordou os conceitos: célula, tipos de células (óvulo e espermatozoide), o processo da fecundação, o crescimento do embrião, a diferença entre embrião e feto, os órgãos do sistema reprodutor feminino (vagina, tuba uterina, útero, ovários). Todos esses conceitos foram discutidos no decorrer da aula. Para isso, utilizamos slides com imagens ampliadas pra facilitar a compreensão dos educandos. Para avaliarmos a aprendizagem, organizamos o desenvolvimento de atividades em dupla. Solicitamos aos educandos, a elaboração de um texto evidenciando o que aprenderam, sobre os conteúdos de Ciências e Matemática. Posteriormente os educandos socializaram os textos com os demais colegas.
No terceiro dia realizamos uma atividade proposta no livro da Coleção Buriti, a mesma utilizada pela professora regente. A proposta utilizava o gênero textual charge, a qual consistia num dialogo entre pai e filho: o filho questiona o pai sobre de onde vêm os bebês e o pai informa que ele tinha vindo de uma loja de departamentos. O filho, admirado insiste perguntando se realmente tinha vindo de uma loja de departamentos e o pai menciona que o havia comprado em uma prateleira de supermercado, numa promoção. A partir da leitura da charge, desencadeamos uma discussão a respeito da origem de cada educando.
Nesta atividade, a partir dos relatos e registros, concluímos que os educandos perceberam a relação entre a célula, a formação e o desenvolvimento do corpo humano. Alguns educandos já explicavam o processo da fecundação, demonstrando que estavam aprendendo o que estava sendo ensinado. Conforme podemos verificar no trecho da dupla “A”: “o bebê se origina na fecundação, que vem o embrião e que depois de 3 meses vira o feto que vai se desenvolvendo até 9 meses e nasce, mas que alguns nascem antes de 9 meses sendo chamados de bebês prematuros. Ou ainda, no registro da dupla “B”: “os bebês não sai de uma loja. E eles não vei de uma loja de apartameito porque eles vei da barriga das mães e ele iria fica comtaite de sabe que ele vei da barriga da mãe dele”.
Neste caso, podemos afirmar que tanto os educandos que não conheciam o conceito de célula, quanto os educandos que já conheciam alguns conceitos de citologia, apresentaram uma aprendizagem significativa, pois, foram capazes de conceituar a maioria das questões trabalhadas e relacionar os conteúdos apresentados com os conhecimentos prévios.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acreditamos que os resultados até aqui apresentados evidenciam que a abordagem de conceitos de citologia nos anos iniciais do ensino fundamental, é essencialmente necessária, se almejamos uma aprendizagem significativa no processo de ensino e aprendizagem das Ciências da Natureza. Para tanto, há que se repensar a formação continuada dos educadores que atuam nessa etapa de ensino, uma vez que os profissionais entrevistados relataram não terem, em sua formação inicial, aportes teóricos e práticos sobre tópicos de Citologia.
Percebemos que, em relação ao ambiente escolar, ensinar Citologia, ou qualquer outro tópico de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental, parece viável, mesmo com a ausência de um laboratório de ciências. Para tanto, é necessário que o professor seja dinâmico e apresente estratégias diversificadas que facilitem a aprendizagem dos educandos.
Finalmente, as evidências sugerem que, a sequência de atividades, na perspectiva da aprendizagem significativa, contribuiu consideravelmente para a construção dos conceitos propostos. Foi possível constatar, a partir da análise dos relatos das atividades desenvolvidas nos três dias de aula, que os objetivos traçados foram alcançados. Os educandos estruturaram conceitos importantes para a compreensão da formação e desenvolvimento corporal, bem como a relação da célula nesse processo.


REFERÊNCIAS

FOUREZ, Gérard. Abordagens didácticas da interdisciplinaridade. Lisboa: Instituto Piaget, 2002.

MASINI, E. F. S.; MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem Significativa: condições para ocorrência e lacunas que levam a comprometimentos. São Paulo: 1.ed. Vetor, 2008.

MOREIRA, Marco Antonio.  Mapas conceituais e aprendizagem significativa. São Paulo: Centauro, 2010.

MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem significativa: a teoria e textos complementares. São Paulo: Livraria da Física, 2011.

MOREIRA, M.A. e MASINI, E.F.S. Aprendizagem significativa: A teoria de David Ausubel. São Paulo: 2. ed. Centauro Editora, 2006.

VALADARES, Jorge; MOREIRA, M.A. A teoria da aprendizagem significativa: sua fundamentação e implementação. Coimbra: Edições Almedina, 2009.

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.







[1] É mestranda, em Ensino de Ciências Naturais do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso-Campus Cuiabá- IF/UFMT, Professora de Ciências Biológicas da rede estadual de ensino de Mato Grosso, atua como professora formadora de Biologia no Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica de Barra do Garças - MT (CEFAPRO/BGA). E-mail: marycrezende@yahoo.com.br.

[2] É mestranda, em Ensino de Ciências Naturais do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso-Campus Cuiabá- IF/UFMT, é Professora Pedagoga da rede estadual de ensino de Mato Grosso, atua como coordenadora no Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica de Tangará da Serra -MT (CEFAPRO/TGS). E-mail: ribeiroljosi@gmail.com.

[3] É mestranda, em Ensino de Ciências Naturais do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso -Campus Cuiabá - IF/UFMT, é Professora de Matemática da rede estadual de ensino de Mato Grosso, atua como professora formadora de Matemática no Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica de Alta Floresta - MT (CEFAPRO/AF). E-mail: profasimonematematica@gmail.com.

[4]BEZERRA, L.M. Projeto Buriti: Ciências. São Paulo: Moderna, 2011.

[5]NIGRO, Rogério G. e CAMPOS, Maria Cristina de C. Ápis: Ciências. São Paulo: Ática, 2011.
[6] OLIVEIRA, Nielda Rocha de et.al. Descobrindo o ambiente, 5º ano. 3. Ed. São Paulo, 2008. ( Coleção ciências. Descobrindo o ambiente)
[7] Disponível em:  http://www.youtube.com/watch?v=ugaq5HUYYsw. Acesso em 17 de agosto de 2014.

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